Palestra Oxente, Quem Sujou Nosso Mato?! Uma aplicação de Gemini e Inteligência Geográfica em Fiscalização Ambiental

Se tem uma coisa que me move na área de dados é o desafio de tirar as ideias da tela e transformá-las em algo que cause impacto real no nosso mundo físico. E foi exatamente com esse espírito que participei hoje (18/07/2026) do I/O Extended + Build with AI da comunidade GDG João Pessoa, no centro universitário UNIESP, em Cabedelo/PB.

Para quem me conhece, sabe que sou engenheiro de dados por profissão, explicador por natureza e um eterno entusiasta de tecnologia. Na palestra de hoje, resolvi unir duas grandes paixões: a nossa terra e o potencial absurdo dos geodados com Inteligência Artificial.

Apresentei o projeto Olho Verde Jampa, um exercício prático de laboratório técnico que nasceu para responder a uma pergunta muito simples, mas dolorosa: “Oxente, quem sujou nosso mato?”.

O Problema: A burocracia afasta o cidadão

Muitas vezes, a burocracia dos sistemas tradicionais acaba virando a maior aliada do crime ambiental. Se um cidadão vê um descarte irregular de lixo ou entulho, o processo de denúncia costuma ser engessado. Além disso, as pessoas não falam em “coordenadas decimais de latitude e longitude”; o cidadão usa a linguagem natural, o contexto e o sotaque local. Quem nunca ouviu um relato do tipo: “jogaram um monte de pneu velho na beira do rio perto da ladeira de Jaguaribe”?

Os sistemas comuns não entendem essa informalidade geográfica. Faltavam ferramentas com o que chamei de “Agentes de Contexto Local” — motores capazes de ler a fala do povo e traduzi-la de forma autônoma para que o poder público possa agir.

A Solução: Unindo o Cérebro e a Bússola a Custo Zero

A proposta do Olho Verde Jampa não é reinventar a roda ou criar um aplicativo comercial inovador. É provar que, usando o ecossistema de geodados e ferramentas modernas de IA, conseguimos criar uma arquitetura robusta com custo zero de infraestrutura.

A solução funciona dividindo as responsabilidades de forma inteligente:

  • O Cérebro: O modelo Gemini 3.5 Flash atua processando o relato informal em linguagem natural. Através do padrão de Function Calling, ele extrai a intenção do texto de forma estruturada.
  • A Bússola: Com as bibliotecas de geocodificação (como o Geopy e a API do OpenStreetMap / Nominatim), traduzimos descrições livres em coordenadas geográficas reais. O sistema faz buscas inteligentes e, se a primeira tentativa falhar, inverte os segmentos do endereço para achar o local exato.

A arquitetura ainda conta com um banco geoespacial local (SpatiaLite) e a Overpass API para realizar zoneamento ambiental (identificar se o crime ocorreu dentro de uma área de preservação protegida) e buscar ecopontos de descarte corretos num raio próximo.

Desdobramentos e Impacto Social

O maior aprendizado desse projeto é ver que a tecnologia local e acessível pode dialogar perfeitamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, ajudando a construir cidades mais resilientes e sustentáveis.

Os possíveis desdobramentos para uma solução como essa são gigantescos:

  1. Zeladoria Urbana Automatizada: Triagem e direcionamento automático de denúncias para os setores corretos da prefeitura (como a Semam ou a Emlur em João Pessoa), diminuindo o tempo de resposta.
  2. Mapeamento de Calor do Crime Ambiental: Identificação histórica de pontos viciados de descarte para planejamento de fiscalização preventiva e instalação de novos ecopontos.
  3. Engajamento Cidadão Descentralizado: Permitir que qualquer pessoa denuncie via assistentes de mensagem simples (como um bot de WhatsApp) usando áudio ou texto informal, sem barreiras de aplicativos complexos.

Quer acompanhar o código?

Como todo bom laboratório técnico, o projeto é totalmente aberto. Você pode conferir a arquitetura completa, os exemplos de chamadas da API do Gemini e o algoritmo de geocodificação direto no repositório do GitHub:

👉 Acesse o Repositório do Olho Verde Jampa no GitHub

Agradeço demais a todo mundo que colou na palestra e trocou uma ideia no stand do GDG João Pessoa! Se você tem interesse em geodados, inteligência artificial ou quer bater um papo sobre como podemos usar engenharia de dados para o impacto social, deixa seu comentário aqui ou me acompanha nas redes.

Vamos tirar as ideias da tela e proteger o mundo físico!

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